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A DAMA DAS SEARAS
Milamarian
 



      Diáfano olhar colhendo nos prelúdios tantas horas
      das quimeras entrelaçadas em ramos e folhas
      e num suspiro ascendes aos céus em suave bolha
      harpeando tua valsa... entre alvas magnólias.



      À sombra desta cerejeira, te colore a fina prata
      incensando as alamedas c'o cintilar d'uma oração
      e ao tocar o âmago desta terra em terna emoção
      espalhas bençãos nas searas, amor feito cascata!



      Ah...pudesse estar agora plantada em teu chão
      ser-te-ia pelos campos qual a brisa na orvalhada
      a te beijar as mãos, prostrada em adoração!



      Linda senhora desta minha melodia, quem me dera!
      ser a úmida relva, o tapete de toda alvorada...
      e em beijos aos teus pés, tua eterna primavera!



    
  Japão - 06.03.2007

 

 

CAMPO DE ORAÇÃO
Milamarian



Acentuam as brisas em suaves segmentos
balouçam em esperanças mirante_outeiro
minuano crescente em flores mensageiro
afagando minh'alma em puro sentimento.


Anelam vertigens suprem em candura atenta
o palpitante rubi que te olha em pleno amor
girando tormentas cala a voz de todo alvor
recolhe cores de meus olhos em tuas sendas.


Aurora prateada suspendendo em suave enleio
rouxinóis entrelaçados num atavio de hortênsias
em azul adocica os alvos lenços de meus anseios,


és grandioso! Elevo-te seara à luz da mansa serra
carregando a presença cristalina que me incensa
marcando os domínios, do meu canto em tua terra.


Em 30 de setembro de 2007.



  
  

FONTE
Milamarian



Seiva de minha alma! É de ti a água nestes veios
Cristalina e cálida na aurora que em bruma encapela
o caudal da tua estrela e em gotas naquela paralela
relembra o meu remanso, do teu colo o aconchego.


No aroma virginal desta relva que me acolhe e é tua
o incenso de teus olhos de azálea cresce e espalha
o teu suave inclinar junto ao rio e ante a medalha
venerando teu deus de amor noutro mar à luz da lua.


Nestas searas é o som de tua melodia, o murmúrio
que sacia a sede de minh'alma entregue à saudade
das silvestres flores de tua face no último dejúrio.


E no azul do firmamento vejo o delineio de tua imagem
cascateando as colinas, és a fonte, dos rios a entidade
nas vertentes da cerejeira, sagrada e eterna tatuagem.



Japão em 25.04.2007
 


 

PROMESSA
Milamarian

  

Refulges em tua fronte uma coroa de glória
Em teu semblante os céus em brumas de bondade
Florescendo luzes em sorrisos e dignidade
Em prodígios abençoados pela Virgem Maria.


Resplandeces em mim tua graça divina
Bem-aventurada és tu entre todas as criaturas
És minha Pátria envolta em fios de ternura
Em noites sombrias és luz que em mim rutila.


Dedico-te reverente respeito e adoração
Elevo minhas mãos aos céus em forma de prece
Prostrada diante de Deus, rogo por ti em minha oração.


Pelo canto de tua voz em meus sonhos a dedilhar
a cantiga de ninar que à minha alma enternece
eu prometo, mãe querida, ao teu colo inda hei de voltar.

 
 

Japão
20.04.2006



 

DAMA
Milamarian
 
 
 
Fonte onde divaga minha terna inspiração
beijo-te as cambraias e todo e qualquer haikai
em gotas de teus lábios neste e noutros roseirais
são tuas, as bençãos que me elevam à imensidão.
 
 
Dama das searas, hiberna em ti a minha devoção
flutua em teu róseo manto a doçura do jasmim
e nas cordilheiras és sorriso em ouro e marfim
que abrilhanta o véu de seda e floreia este chão.
 
 
Manto que em outonos e invernos me agasalha
aquecendo a minh'alma com teus olhos de cristal
atravessa tantos mares e minha lágrima orvalha,
 
 
propala de teu ninho o suave gorjeio e o perfume
inebriando os trigais, nesta infinda terra qual o sal
alimentando a candeia e da última estrela, o lume.
 
 
Japão em 03.05.2007

 




Vértice do Amor
Milamarian

Levo tua imagem nos olhos meus
entristecidos por não te ver
sedentos de te abraçar
Suspirando por teu bem querer
Sorriem por te amar.
Se hoje cantam felizes,
mesmo distantes de ti,
é porque vives dentro de mim;
és o primeiro instante de minha existência,
e serás o último suspiro de minha alma.
Mãe, nos desertos de minha vida
sempre brotas como linda flor
espalhando teus carinhos,
és o vértice do meu amor.


26.04.2006






SAGRADA
Milamarian




Árvore enraizada neste tapete oriental
sombreia em doce acorde esta oferenda
no murmúrio de minha prece sem emenda
aceita e recebe o úmido brilho do cristal.



Verto tua seiva em meus veios e transfiro
as cálidas e vermelhas gotas à esta seara
onde os seixos se eternizam e orvalham
pedaços de ti e de mim num só fitilho.



Adorna pois, rosácea de toda minha vida
com a luz do teu sol que banha este regato
e espalha na enseada a oração da guarida,



onde tu rezas em meu peito e eu me prostro
ante o azul de tua voz entre o real e abstrato
sussurro de amor sem hiato nem apóstrofo.



Em 25 de setembro de 2007.




 

TSURU- GROU
Milamarian
 
 
 
 
Ondula nestes bosques o vôo altaneiro de tal cegonha
enaltecendo em nobres asas, olhos fiéis e companheiros
e nas searas meditando entre as secas palhas do telheiro
volta então aquele sorriso que minh'alma sempre sonha.
 
 
 
Serpenteia as montanhas, amado pássaro que não é lenda
repõe o viço das cachoeiras em águas puras e cristalinas
e das begônias desliza suaves tons na cerejeira bailarina
que balouça nas alvoradas e das flores te faz um'oferenda.
 
 
 
Estende tuas bençãos nos templos por azaleas ornados
e nas vermelhas cores evidencia teu semblante de amor
suspende o manto peregrino trazendo o brilho adocicado
 
 
 
de tuas carícias que agasalham a cordilheira noite e dia
e alinhava em doce verso as cantigas de ninar ao redor
da seara prostrada hoje e sempre ante a tua maestria.
 
 
 
Japão em 12.05.2007 
 


SEMENTE
Milamarian




Solitárias primaveras que atravesso
nestes campos regados de quimeras
borbulhando no amor que te confesso
no verso que em teu vitral se reverbera...


Outonos em vermelhas flores neste chão
Frios invernos em noites de solidão
prisioneira na face escura da ilusão
que arranha noite e dia o coração!

Vejo-te sublime neste meu canto sereno
pois semeada és em cada gota derramada
na saudade largada no chã...tão pequeno...

E na planície enluarada seja outono ou verão
até mesmo na neve de mais uma invernada
és semente eterna...nos cascalhos deste aluvião.


Japão - 25.10.2006




 

 
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Midi - Raphael Veronese